COVARDIA

Eu tenho quase certeza de que sou uma farsa. A maneira mais fácil de ser honesto é me certificando de que vou errar. Pensar em manter o discurso de que as coisas vão se acertar, motivar quem está perto de mim e principalmente NÃO INCOMODAR AS PESSOAS QUE ESTÃO A MINHA VOLTA! Soa tão bobo perto da maravilha que eu já vi de relance em um momento tão especial. Eu tenho vontade de dizer “eu não me responsabilizo” e me deixar morrer em seguida – COVARDE! Despejo aqui pensando em como colocar isso noutros lugares. Superar as minhas falsas forças. QUANTO MAIS ALTO MAIOR A QUEDA! Ridículo o que faz a pose de maior sem realmente acreditar nisso! E no meio disso tudo retomo a questão: DE QUE SERVE A EXPRESSÃO DE ORGULHO? Se me sentir superior a alguém já está errado, expressar isso é mais ainda. Mas eu expresso mesmo em tudo sem saber. As pessoas sentem na desconexão entre as coisas que eu digo e faço. Aquela falta de firmeza, força, para defender ideias que espera-se que um artista tenha. É PARTE DO FOGO CRIADOR! Eu acabei de humilhar alguém, socorro! O sentimento de culpa cristã num domínio estranho das práticas místicas – o que não se entende. CULPA DE NÃO ACEITAR A DANÇA DO UNIVERSO.

Tédio?

“Escrever no blog” passou pela minha cabeça uma ou duas vezes antes de desisitir de todo o resto. Sinto como se ficar parado simplesmente não fosse uma coisa digna a se fazer, entretanto também não tenho lá vontade pra muita coisa – pelo menos não o suficiente pra realmente sair dessa situação de hoje. fiz alguma coisa. mas realmente não sinto vontade de muita coisa. talvez eu não esteja afinado com minha vontade – não sei. É qualquer coisa entre o tédio e a melancolia que me faz dançar madonna e depois correr pra um nirvana? sei que passa tudo muito rápido e não há ninguém aqui comigo com quem compartilhar. Enquanto escrevo chega alguém em casa.

Agora sim – sobre minha sensibilidade”””o elo perdido entre tudo que é possível definir

há um mundo muito bonito dentro dos padrões. ele tem barba e pelos no peito, tem um pau enorme que estende tecidos entre as pernas das pessoas. há peles lisas das pessoas que ele quer atacar – o patrão. uma entidade tão antiga, o que vem antes defrente ao qual por vezes só parece haver duas posturas possíveis – mas há mais o que fazer do que fazer uma pose – respeitar ou enfrentar, submeter (a) ou desafiar. há um segredo que um outro padrão faz notar. é que o OU pode ser em capacidades humanas suspenso. Sou eu que estou sem tesão quando reparo que não há o que fazer com essas carnes humanas todas dançando? eu visto uma carcaça invisível em que a única entrada é quase só o que meu tato (audição) e as vezes olhos concebe do que me atravessa… danço. As vezes me ponho a vista dos outros. As vezes eles estão comigo. Uma moça muito bonita brinca sobre todos chamarem-na de louca. Ela não parecia drogada demais nem sofrendo. Tava era existindo perigosamente e fotografando tudo. Um sorriso lindo e empolgação de quem podia ter aspirado e oferecido pó pras pessoas no lugar. Oi! (dancinha infantil; bate bate de mãos com o coleguinha). Ele é lindo; mas eu não sou pra transar. Eu estou assim: os meus braços estão mais finos e eu danço mole, flúido. Não me sinto bonito aos olhos do patrão, não consigo mandar tampouco, mas danço assim mesmo. Invento pêndulos com cada soco; cabeças com cada pé; gargantas com cada sorriso; olhos com cada brilho no olho. E me confundo. Um dragão se movendo. Veja essas escamas se confundirem com penas. O ELO PERDIDO ENTRE TUDO QUE É POSSÍVEL DEFINIR.

eu danço!

queria escrever sobre a sensação de maravilha. o relance da maravilha. a infraordinária dimensão onde tudo faz sentido, onde inclusive a nossa mínima condição de gente, com todos os vícios imagináveis, é proposta de dignidade – o lugar zero. é justo por não ser explicável é que a ideia de maravilha, ou a aspiração à maravilha, é elemento sutil de qualquer frase sobre o desejo. todo desejo é pela maravilha. é onde o rio da vida corre. O relance da maravilha cega. Ela abriga o horror também. Mas  flutuando sobre rio ainda é possível se ignorar que há terra? Eu gostei do balanço do barco. Fiquei emocionado com o vento no meu rosto. Pensei que fosse tudo o que o barco me oferecia. É um encanto do barco – e é! Mas deixei alguns barcos antes, deixei-me conduzir por outros rios antes. sem o barco não tem rio. sem a terra não tem água. há um mistério encantador capaz de me agigantar e o contrário a toda potencia e mais. Eu tenho amigos importantes. a vida me deu algumas lições e eu sou só uma pessoa – e eu sou! ahahha eu sou! eu sou a parte que contém o todo da maravilha! Toda a graça e a desgraça, toda a chantagem, corrupção, vermes parasitas, sorrisos e risos sinceros, declarações de amor maliciosas e as mais bonitas e as mais ingênuas (quase essenciais), o cintilar da pele sob a roupa, o indefinido, o multidefinido, o unidefinido por um instante – eu faço parte! eu tenho o que meu corpo vem querendo e destruo no máximo o que o meu modo de estar me permite perceber. Eu sou uma metáfora, uma sinédoque e um todo em mim ao mesmo tempo – e eu tenho! porque eu passo! eu traço! eu entrego! eu lanço! eu danço!

a estetização

Uma bonita estória a ser contada. Quer chamar de vida, pois que chame. Pode ser que facilite a identificar protagonistas, coadjuvantes, plot-twists … e se for de se ver: as cores todas – verdadeiras ou menos sinceras. Em todas as suas metáforas, concertos e efeitos.