A Bateu na mãe, como era de se esperar, foi recebida com muito estranhamento pelos leitores
“acho que merecia um pouco mais de roteiro…”
“você devia colocar uma espécie de explicação pra que a gente pudesse entender melhor a mensagem…”
“v0cê conhece Robert Crum?”
“cara! conhece Dave Mckean?”
“hum… legal” (com uma de amigo bonzinho)
estão vindo sequencias novas. se trata de uma continuação de Bateu na Mãe. Já esboçava em mente mexer com coisas diferentes, estratégias novas, temas novos e umas coisas que não cabiam na Mãe, mas no Pai…
A revista vai melhorar seu desempenho sexual.
Bateu no pai vai ser um pouco mais Gore. Apenas começou. Logo devo por uma versão on-line da Bateu na Mãe.
ATENÇÂO! Quem tiver a fim de ler a Bateu e não tiver coragem de investir os 5 paus pela versão impressa (na Potylivros do praia shopping, Livraria cooperativa, Nalva melo café salão …) mande um e-mail para viniciusdantass@gmail.com que eu repasso com prazer. Ainda não tive tempo de ajeitar/pensar uma versão online mais bacana.
Abraços apertados!
não achei a matéria inteira aqui na internet. Só tenho o que respondi por e-mail. :T. Foda, isso. Não guardo nada que sai sobre mim.
“O JORNAL DE HOJE – Você é artista plástico. Então, como e quando foi a decisão de começar a escrever histórias em quadrinhos?
Eu tinha já vinha fazendo um trabalho de quadrinho, mas que não costumava dar muita atenção, achava mais diversão mesmo. Ele era distante e ignorante, agora chamo experimental. De uns tempos pra cá eu tenho percebido que a narrativa gráfica já estava no meu trabalho de artes visuais desde o começo. Já existia um diálogo com a linguagem dos quadrinhos. De 2009 pra 2010 rolou uma exposição minha na pinacoteca, ESPANTO GLASSLITE, essa exposição já era arte sequencial, bem perto do quadrinho, mas explorava ele de outras formas: com desenhos direto na parede, usando materias que a galera costuma usar na rua mesmo. A narrativa era construída com a caminhada da pessoa pelo salão. Gostei bastante da experiência, tanto que reeditei agora pra revista. E assim, Dani, me interesso agora por ocupar outros espaços com meu trabalho de artes visuais, que já era multimídia. Tenho outras coisas pra mostrar pra outras pessoas. Por isso, o outro modo. Esse é um trabalho bacana que tem um pouco do que eu já apresentava em exposições, mas mantive ele acessível. Ainda não tenho acordos de distribuição nem esquematizei ainda maneiras de fazer isso pela internet, então o lançamento lá em Nalva é uma boa oportunidade pro pessoal sacar e curtir um pouco o começo da noite.
O JORNAL DE HOJE - Quanto livros você já publicou?
BATEU NA MÃE tem formato de revista. É a primeira que publico. Já fiz alguns trabalhos de ilustração pra outras revistas e publiquei alguma coisa na internet também, mas só agora, à convite de Luiz Élson, tá saindo a BATEU. Faz parte de um projeto grande chamado 1ª Edição, que enfoca a produção recente de quadrinistas do estado. Muita gente experiente e muita gente nova também nos 20 títulos que serão lançados agora dia 15 na Poty Livros da Salgado Filho. É uma boa pra saber do que tá rolando. Tem caras com trabalhos legais sendo reconhecidos fora do estado, mas que ninguém aqui ouviu falar ainda.
O JORNAL DE HOJE - Qual o estilo que você mais gosta de escrever e de ler?
Do ano passado pra cá foi que comecei a fazer minha coleçãozinha de quadrinhos. Leio basicamente quadrinho autoral . To ligado em Mutarelli, Daniel Clowes, recentemente tenho lido umas coisas do Crumb, Alan Seiber, Fabio Zimbres, um ou outro zine que me chega. São poucas editoras que tem coragem de publicar algo novo de verdade em quadrinhos, por isso muita coisa tem rolado no circuito independente. Normalmente ficam reeditando clássicos em edições de luxo logo depois que lançam o filme. Não tem erro, né? Agora que to vendo que perguntou sobre estilo. Ahhaah! O que me atrai nesses caras que citei aí emcima acho que tem a ver com honestidade e a sensação de crueza. Curto quando o quadrinho explode proutros lados. Normalmente me atrai mais produções que exploram mais a imagem e sua relação com o texto. A turma as vezes acha que imagem é só pra deixar o texto mais leve, esquece do que se pode fazer com ela.
O JORNAL DE HOJE - Fale um pouco sobre o “Bateu na Mãe”?
BATEU NA MÃE é uma propósta. Reune em 32 páginas 4 narrativas gráficas, que podem ser lidas como uma só. Tem a ver com violência, sujeira, maternidade, Natal, cultura pop. Tem uma personagem travesti, também… Tá caótica e o papo é torto, mas é assim mesmo. Trabalho com fotografia, desenho, aguadas, manipulação digital e o que achar apropriado pra compor…Tô mais interessado no que ela pode se tornar pras pessoas do no que ela “é”.
O JORNAL DE HOJE – Por que você escolheu esse título?
A expressão veio de um colega artista, Jarbas Jácome, com quem conversei muito rapidamente e ele soltou esta brincando sobre artistas: “Nam! Esse povo que bate na mãe!”. Achei engraçado, guardei. Tem a ver com clima da revista.
O JORNAL DE HOJE – Qual foi a sua grande inspiração e desafio para criar o HQ “Bateu na Mãe”?
Tudo pode ser desafiador. O lance de estar buscando sempre soluções pros problemas que vão surgindo é muito interessante e trabalhoso. Me inspirei muito em cinema, no underground (ou na idéia de). Olhei pra esses tempos de radicalidade emprestada, pra essas figuras que aparecem em Luciana Gimenez pra falar da menina evangélica virgem que tá fazendo um filme pornô. Gosto dos filmes antigos de John Waters, Almodovar, Lynch. Tem o poema processo, popart, youtube, casos sobrenaturais, políticos. E tem também meus amigos e amigas, que não são tão bizarros assim. A inspiração é o desafio de lidar com tudo isto e se sentir vivo.
O JORNAL DE HOJE – O que foi mais positivo e negativo nessa experiência?
Sei lá. Gostei do momento que ela tá vindo. Gostei de poder me vender barato, de poder fazer uma festinha… Gosto do plano de alcançar pessoas que não leêm quadrinho. Gosto da confusão que ficou… Isso é positivo ou negativo?
O JORNAL DE HOJE – Qual (is) o (s) escritor (res) de histórias em quadrinhos potiguares que você admira e indicaria?
Tem a galera da revista maturi, que tem uma boa história no estado e que voltaram a produzir. Mais recente, a revista online K-ótica. Beto Leite e Marcos Guerra, que publicam no projeto 1ª Edição, também tem boas idéias. Tem o Falves Silva, que mexe com quadrinho e poesia visual. Com certeza esqueço alguém. Só indico que se vá atrás que se acha coisa legal, sim.
O JORNAL DE HOJE – Esse seu trabalho simboliza alguma postura ideológica?
Com certeza. Mas não posso falar sobre isso no jornal.
O JORNAL DE HOJE – Na sua opinião, qual é a principal maneira de cativar leitores para esse tipo de leitura?
Produzir quadrinho é só mais um jeito de se relacionar. Permitir ser tocado pelas pessoas é uma maneira de aprender a tocar.
O JORNAL DE HOJE – Qual o melhor mercado de trabalho para um trabalho autoral em quadrinhos, Brasil ou os EUA? Por que?
Parece óbvio dizer que é no exterior. Na europa, no Japão… tem muita gente que consegue se fazer no quadrinho, mas depende do nicho que você pretende ocupar. Procuro maneiras alternativas de fazer o trabalho circular, independente de editoras. Dependente ou independente parece desafiador fazer quadrinho em qualquer lugar. Por outro lado, como o quadrinho tem voltado a ser bacana é natural que o mercado e editoras acompanhem essa onda, que o pessoal vá percebendo artistas novos e disseminando o hábito. Fora a internet, que tem mudado toda a estória.”
Beto da república dos quadrinhos escreveu um pouco sobre pra quem não foi no dia 16 : http://rquadrinhos.blogspot.com/search/label/Vinicius
(foto por Sara)
A festa la em Nalva, ontem, foi massa. fico devendo fotos. Obrigado a todo mundo que me ajudou nessa hora: pai, mãe, fernando, mauricio, ALIEN TV, Nalva, Beto, Rita…. Grato demais!
Por onde anda minha cabeça.
disseram :
“Sol na casa 5, lua na casa 10
DE: 16/02 (Hoje) | ATÉ: 18/02
Eis que, entre os dias 16/02 (Hoje) e 18/02, a Lua entra em seu estado quase cheio. O conflito aqui envolve carreira versus necessidade de divertimento….”
De vacilo, ainda não acionei outros disseminadores da revista na cidade. Por enquanto só tem lá em Nalva e comigo. Mas na próxima semana já anuncio os pontos de venda que eu conseguir.
Valeu!
por Milena Azevedo
Vinicius Dantas é antes de tudo um artista disposto a quebrar paradigmas e a ressignificar suas próprias criações. Sua inquietação para com as coisas do mundo é traduzida em sua arte, e sua arte é mutante, mutável, embora densa e intensa. O seu premiado trabalho em artes visuais, conhecido do público potiguar, já dialogava com a linguagem dos quadrinhos. Agora ele ousa experimentar o suporte impresso na sua obra de arte sequencial. Bateu na Mãe, um trabalho inovador, é uma história em quadrinhos autoral, feita com recortes e montagens de fotos e desenhos, que não se prende às convenções da referida mídia.
Sendo um artista atento à narrativa multimídia , Vinicius dialoga, em Bateu na Mãe, com o surrealismo de David Lynch, com o deboche freak e escatológico de John Waters e Marcatti, com o homoerotismo kistch de Almodóvar e Caio Fernando Abreu, com o impressionismo abstrato de Lorenzo Mattotti e com os clichês das novelas de TV e da música pop.
Bateu na Mãe traz quatro histórias (que podem também ser lidas como uma só), nas quais há um forte questionamento do conceito de família, dos estereótipos entre os espaços da rua e do lar, do arquétipo feminino, da mercantilização da inocência infantil e de como tudo parece simples e perfeito na manipulação publicitária dos discursos político-partidários.
Em 1978, Will Eisner criou o conceito de graphic novel para uma forma nova de arte sequencial que estava fazendo, e em 2011 Vinicius Dantas incita seu público a redescobrir sua arte e convida os leitores de quadrinhos a conhecer o seu modo peculiar de narrativa gráfica.
como disse no outro post vão rolar essas duas noites. Quem tiver a fim de conhecer a recente produção da galera que anda fazendo quadrinho aqui na cidade, não perde em ir aos dois eventos. Até porque não é o tipo de coisa fácil de se ver aqui na cidade. Quem consome quadrinho sabe que não temos mais uma loja especializada como era a Garagem hermética de Quadrinhos, de Milena Azevedo. Agora funcionasomente online no http://ghq.com.br/
Em “Bateu na mãe” reúno alguns experimentos com narrativas gráficas, que já venho mexendo de um bom tempo pra cá e que serão pela primeira vez publicadas impressas – normalmente ocupavam exposições, cadernos e internet. Tá tudo naquele caos, estranho aos mais tradicionais leitores de quadrinhos. Apesar disso, cuidei muito bem da coisa que agora “eu te proponho… “
Noite 15 de fevereiro tem lançamento da minha revista de quadrinho, “BATEU NA MÃE”, na Potylivros da Salgado Filho. Nesse dia serão lançadas outras várias revistas do projeto “Primeira edição”, organizado pelo amigo e professor Luís Elson.
Na noite do dia 16 acontece lá em Nalva Melo café salão o lançamento exclusivo da “BATEU”. A revista vai estar sendo vendida à somente 5 reais. Quem comprar a revista ganha o passe pra curtir umas horas com a banda ALIENTV (http://www.myspace.com/thealientv) e mais algumas surpresas (até pra mim). Venha curtir com a sua turminha!
Esse mês estou na revista catorze deem uma olhada:Estou na revista online catorze: http://revistacatorze.com.br/2011/vinicius-dantas